Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários
e das Empresas Transportadoras de Contêineres

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    Notícias do Setor

    Escalada do petróleo já afeta fretes marítimos
    15/05/2018 - Portos e Navios


    A escalada do preço do petróleo nos últimos meses já refletiu nos custos do transporte marítimo, por onde é feito quase 90% do comércio exterior brasileiro e boa parte das trocas domésticas. A Aliança Navegação, maior armador de cabotagem com atuação no Brasil, vai criar nesta semana uma taxa emergencial para compensar os gastos extras com a alta do combustível marítimo, o chamado bunker.
     
    Desde janeiro, a tonelada do bunker com abastecimento no porto de Santos subiu 18%, para US$ 460, o que gerou um custo não previsto de R$ 15 milhões para a empresa. “O preço do combustível está afetando o equilíbrio financeiro do serviço da cabotagem, a situação é grave”, disse ao Valor Marcus Voloch, gerente geral de cabotagem e Mercosul da Aliança.
     
    O valor vai depender da distância percorrida. Quem embarca do Sul para o Sudeste vai pagar menos do que quem embarca do Sul para o Nordeste. Mas, em média, vai ficar em torno de R$ 200 por Teu (contêiner de 20 pés).
     
    O petróleo registrou ontem nova alta, o que levou os operadores de mercado a estimarem uma cotação de US$ 80 o barril.
     
    Segundo Voloch, o combustível é o principal custo em uma viagem de navio doméstica, representando quase 25%. Além disso, diferentemente da navegação de longo curso, em que há contratos de fretes indexados à oscilação do bunker (o combustível de navegação), na cabotagem isso não ocorre porque o frete marítimo doméstico concorre com o frete rodoviário, o que reduz o poder de barganha desses armadores. “Todo mundo está sofrendo perdas por conta do aumento dos cursos e precisa ser compensado de uma forma ou outra”, disse Voloch.
     
    O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista (Sindicam) vai realizar nesta quarta-feira uma paralisação entre 6h e 18h. Será uma reivindicação pelo aumento de frete e pela baixa nos preços do combustível, entre outros.
     
    O peso do petróleo no balanço das empresas de navegação é grande. O balanço da Maersk, maior armador de longo curso do mundo e líder nos tráfegos do Brasil após a compra da Hamburg Süd, é revelador dessa correlação. Em 2013, no pico do preço do petróleo, a média do bunker cotado em Roterdã (Holanda) bateu em US$ 600 por tonelada e representou 21% dos custos totais da Maersk. Em 2016, no “vale” da cotação do petróleo, o preço médio do combustível marítimo ficou em US$ 200 por tonelada e a fatia caiu para 10%.
     
    Neste mês, a média do bunker cotado em Roterdã está em US$ 395 por tonelada. O impacto dessa alta no repasse aos usuários do transporte, contudo, não será linear. “Nem todos os segmentos ou rotas de navegação conseguirão repassar esse aumento no custo do combustível devido à supercapacidade de espaço em alguns tráfegos”, diz Leandro Barreto, sócio da Solve Shipping. Nesses casos, o resultado financeiro dos armadores deve enfraquecer, pois terão de absorver o aumento.
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